Direção do Sindpol/MG defende Policial Civil com transtorno psicológico e desmente versão narrada em Boletim de Ocorrência

Após ampla difusão na grande mídia de trágico e infeliz episódio envolvendo um Policial Civil adoecido no trabalho, em surto psíquico, a direção do Sindpol/MG em contato com familiares e com o próprio policial buscou apuração equilibrada do fato e está cobrando novamente das autoridades atendimento adequado e apoio aos membros da corporação acometidos por doença psiquiátrica. A profissão de Policial Civil assim como de todo operador de segurança, é altamente insalubre, estressante e exposta a altos riscos à saúde e a integridade física dos mesmos, exigindo por tanto de acompanhamento clinico e psicológico constante e de qualidade, fato que na atualidade e já a algum tempo não possuímos. O policial em questão já vinha a algum tempo apresentando sintomas de desiquilíbrio e instabilidade emocional e psicológica, carecendo de atenção urgente e inclusive já se encontrava afastado para tratamento. É lamentável que no momento tão triste e conflituoso, pessoas inescrupulosas tentem fazer escárnio e tirar proveito em detrimento de sua dignidade pessoal e profissional.

Veja posição do Sindpol/MG em defesa do policial em uma das matérias veiculadas.

Policial ateia fogo a dinheiro

Publicado no jornal O Tempo, em 30/08

Um investigador da Polícia Civil foi internado ontem após tentar queimar cerca de R$ 30 mil em notas de R$50 e R$100 em uma praça no bairro Floramar, na região Norte de Belo Horizonte. Segundo colegas de trabalho, Robson Pires Alvarenga, 42, tem mais de 20 anos de polícia e está licenciado da profissão por distúrbios psiquiátricos. Ele está separado da mulher, e o dinheiro era proveniente da venda de um imóvel.

Por volta das 23h30 de anteontem, Alvarenga surpreendeu os seguranças do Núcleo Assistencial Caminhos para Jesus, entidade que ajuda crianças carentes que têm deficiência e idosos, ao tentar queimar o dinheiro em uma praça em frente à instituição.

“Ele chegou com uma bolsa e a deixou no meio da praça. Retornou ao seu veículo, abriu o porta-malas e pegou algumas caixas. Começou a colocar fogo em alguns papéis. Na sequência, os seguranças perceberam que era dinheiro e tentaram ajudá-lo, falando para ele não fazer aquilo”, contou o coordenador de segurança da entidade, Diego Vinícius de Matos. “Ele repetia o tempo todo que foi Jesus quem mandou e não aceitava ajuda”, disse Matos, que, diante da cena, chamou a Polícia Militar ao local.

Segundo ele, o investigador ficou cerca de 20 minutos destruindo as notas. “Eram maços de notas de R$ 100 e de R$ 50. Ele não jogava os pacotes todos de uma vez no fogo. Ia tirando nota por nota e queimando”, afirmou. “Se a PM não tivesse chegado rápido, ele teria queimado tudo. O pessoal varreu muita cinza depois”, informou Matos. A Polícia Civil não informou o valor total que chegou a ser queimado pelo investigador.

SURTO.

Ao ser abordado pela PM, o investigador alegou que queimava a quantia por ela não lhe pertencer, uma vez que era proveniente de corrupção, “dinheiro sujo, ilícito”. Porém, o presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindpol), Denilson Martins, negou essa versão.

“O dinheiro é fruto da venda de um imóvel. Ele está em processo de separação judicial e está vendendo seus bens”, disse Martins. “Ele está cheio de dívidas e passa por problemas financeiros devido ao parcelamento dos salários dos servidores pelo Estado. Em razão da sua doença, foi afastado do trabalho e deixou de ganhar honorários como examinador do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG)”, afirmou. O investigador trabalha na Delegacia Adida do Juizado Especial Criminal.

Segundo a corporação, ele não tem crime em sua ficha. Alvarenga foi leva do para a Central de Flagrantes da Polícia Civil (Ceflan), no bairro Floresta, e depois para o Hospital Psiquiátrico Galba Velloso. Ontem, ele recebeu visitas da ex-mulher e de colegas de trabalho. “Ele está medicado. Não está consciente”, contou um amigo.

Fonte: O Tempo (com adaptações do Sindpol/MG)