Em Minas, 353 mulheres sofrem violência por dia

16 de Março de 2016

Balanço da Seds mostra média diária de 1,62 morte em Minas; número caiu 1,8% em 2015

Publicado no jornal O Tempo, em 16/03/16, por Nathália Lacerda / Débora Costa

O fim do relacionamento entre a doméstica Winaiara Emília de Paula Souza, 28, e o pedreiro Rerionaldo Pereira Gomes, 41, moradores de Ribeirão das Neves, na região metropolitana da capital, resultou em mais um trágico crime passional. Nesta terça, a mulher morreu esfaqueada duas vezes pelo ex-amante. O homicídio ocorreu no mesmo dia em que o balanço da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) apontou que Minas registrou uma média de 1,62 morte de mulheres por dia em 2015. Foram 353,58 casos diários de violência contra essa parcela na população.

Os dados fazem parte do Diagnóstico de Violência Doméstica e Familiar nas Regiões Integradas de Segurança Pública (Risps). O Estado teve 590 assassinatos de mulheres no ano passado, queda de 1,8% em relação a 2014, quando foram 601 mortes. A incidência de violência contra a mulher também diminuiu 2% em Minas, sendo que o volume de casos caiu de 131.747 registros em 2014 para 129.054 no ano passado. Já a capital apresentou uma queda de 5,5% nos episódios de violência. Foram 15.136 registros em 2015 contra 16.011 no ano anterior.

“Cada vida que conseguimos poupar já é uma vitória. Isso mostra que as mulheres não estão aceitando mais a violência e estão buscando ajuda”, avalia a subsecretária de Políticas para as Mulheres, Larissa Amorim Borges, da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania.

Para o especialista em segurança pública Robson Sávio, os números não expressam a realidade. “Existem muitos casos que não são registrados. É preciso que o poder público invista em redes de proteção que consigam realmente proteger essas mulheres”.

O diagnóstico da Seds também mostra que os principais crimes cometidos contra as mulheres são agressões físicas, psicológicas e patrimoniais. As principais vítimas são mulheres pardas com idades entre 25 e 34 anos.

Fonte: O Tempo