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23 de Março de 2016

Número de vítimas em confrontos policiais aumenta 95% em Minas

Publicado por Renata Galdino, no Jornal Hoje em Dia

O aumento expressivo de mortes decorrentes de ações policiais – as chamadas intervenções legais – acende alerta em Minas, afirmam especialistas. Em 2014, foram 121 homicídios nessas situações contra 62 no ano anterior, um crescimento de 95%. Esse número retrata o policial como vítima e autor da ação.

Os dados constam no Atlas da Violência 2016, divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O estudo utilizou dados coletados diretamente dos estados pela Lei de Acesso à Informação. Em Minas, 17 das 121 mortes em 2014 envolveram policiais fora do expediente de trabalho. Uma das vítimas foi o soldado André Luiz Lucas Neves, de 27 anos. À paisana, ele foi assassinado ao tentar impedir um assalto no bairro Ouro Preto, em BH.

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Mas é a quantidade de homicídios com policiais em serviço que chama a atenção de especialistas. De 2013 para 2014, o número de mortos subiu 108%, passando de 50 para 104. “É preocupante”, avalia o coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas, Robson Sávio Souza.
Para ele, dois problemas fomentam as estatísticas de letalidade policial. Um deles é o modelo de treinamento adotado pelas polícias no país, que privilegia a repressão em detrimento à investigação e análise de provas. “Principalmente nas polícias militares. O mecanismo de formação é altamente violento para o policial da ponta”. Outro problema, segundo Robson Sávio, é a falta de mecanismos para o controle da atividade policial.

Chefe da Central de Jornalismo da PM mineira, tenente-coronel Gilmar Luciano frisa que o treinamento é composto por disciplinas de direitos humanos. “E privilegiamos a polícia comunitária, cujo foco é a aproximação com a comunidade”. Ele afirma que, por lei, a atividade policial é fiscalizada pelo Ministério Público, ouvidoria e corregedoria.

Já a Polícia Civil informou que investe no treinamento dos policiais com o objetivo de capacitá-los para diversas situações.

Subnotificação
Ainda sobre a letalidade policial, o Ipea analisou os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e avaliou que a falta de informação a respeito das mortes por servidores públicos é um problema em todos os estados. A subnoti-ficação fica evidente quando se compara com os dados publicados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Em 2014, o SIM apresenta 681 mortes por intervenções legais, enquanto o anuário levantou 3.009 homicídios. De acordo com o Atlas, tanto no SIM quanto no anuário não são identificados autores e vítimas nos confrontos policiais.

Com Agência

Fonte: Hoje em Dia

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