Policiais civis de Januária e Brasilia de Minas, participam ativamente da paralisação.

08 de abril de 2011:  Um dia histórico para a Polícia Civil de Minas Gerais.

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A segunda sexta-feira do mês de abril teria tudo para ser um dia qualquer. Teria, não fosse a Assembléia Geral e a manifestação promovida pelos guerreiros Policiais Civis de todo o Estado de Minas Gerais. Um ato cívico em sua essência. Uma das mais autênticas traduções da palavra “cidadania”.

Ao reunir mais de 2 mil e quinhentos policiais civis em dois importantes marcos históricos de Belo Horizonte e, consequentemente, de Minas Gerais (A Praça da Liberdade e a Praça Sete), o SINDPOL/MG e os Policiais Civis presentes demonstraram, para aqueles que não mais acreditavam (principalmente o atual governo do estado), que a Gloriosa Polícia Civil de Minas Gerais está viva. Sim, apesar de algumas mutilações promovidas por alguns, ela está viva e pronta para lutar pela sua reestruturação e recuperação.

Alguns momentos vão, sem dúvida alguma, ficar guardados na memória daqueles que ali estavam.

O primeiro deles, quando, logo ao chegarmos na Praça da Liberdade, por volta das 13h30, já havia alguma movimentação de colegas. Mas devemos confessar: o número de policiais civis presentes na praça, até então, era pequeno.

Por volta das 14h00, quando foi anunciada a primeira chamada, essa quantidade já havia aumentando, mas ainda de forma tímida. Não era o suficiente para considerá-la como representante de todos os Policiais Civis do estado.

Após algumas palavras de nossos líderes do SINDPOL/MG, e a convocação dos colegas da região metropolitana, esse número foi crescendo. Logo, caravanas de outras regiões do estado também se juntaram. Por volta das 16h00, a Praça da Liberdade já estava tomada.

Aglomeraram-se combatentes de todas as regiões do estado. Eram policiais do norte, do leste, oeste, do sul (Juiz de Fora, que exemplo!), região metropolitana; enfim, representantes legítimos das delegacias das “várias” Minas Gerais.

Ao darmos os votos para as ações a serem implementadas nos próximos 20 dias, conforme proposta dos nossos estrategistas do SINDPOL/MG, demos início às manifestações pelas ruas da capital.

Foi ali, na Rua João Pinheiro, em frente à sede do DETRAN/MG, onde ocorreu o segundo momento marcante desse movimento. Esses 2 mil e quinhentos guerreiros pararam. Num coro único, gritaram “para…para…para..”. Foi a forma encontrada para demonstrarem que a luta é de todos. Assim, convocaram os demais colegas que trabalham nesse importante braço da Polícia Civil para se juntarem nessa luta e pararem de se humilhar pelas migalhas dos cargos de confiança.

A extensão da fila que se formara nessa caminhada também pode ser vista com mais nitidez nesse ponto da cidade.

Num primeiro instante, alguns populares demonstraram certa insatisfação. De certa forma, até compreensível, pois já era por volta das 17h00, hora de pico no trânsito. Mas alguns gestos de populares caracterizaram o terceiro momento marcante dessa jornada. Não foram poucas as pessoas que, de dentro dos seus veículos, ou mesmo populares, aplaudiram, de forma veemente e emocionante, esse nosso ato.

Alguns moradores jogaram papel picado das janelas dos apartamentos dos prédios. Um forma de se juntarem a essa festa da democracia. Naqueles gestos demonstravam que entendiam que a nossa intenção é nobre: recuperar a verdadeira e única polícia investigativa do estado, capaz de proporcionar a verdadeira segurança pública que todos querem, e dizer não a essa segurança pública de faz-de-conta.

O momento crucial e mais marcante foi na Praça Sete. Fechar o trânsito naquele local, naquele instante, com aquela movimentação de veículos e pedestres, é preciso mesmo ter muita coragem. E aqueles 2 mil e quinhentos batalhadores e legítimos representantes dos quase 9 mil policiais civis do estado assim o fizeram.

Queimando caixões, gritando para os quatro cantos de Minas ouvirem, nossos guerreiros ousaram a desafiar a ação desestruturadora da Polícia Civil, promovida pela atual gestão governamental, iniciada nos dois mandados anteriores. E foram intensamente cercados e aplaudidos por milhares de pessoas na Praça Sete.

O povo mineiro está entendendo o propósito das nossas reivindicações. Representantes de vários setores da sociedade civil organizada demonstraram apoio ao nosso movimento. E isso é, no mínino, estimulador.

Sim, senhores do poder, podem tentar acabar com a Polícia Civil, como verdadeiramente o estão. Mas não será assim tão fácil como achavam. Não vamos nos sucumbir aos mandos e desmandos daqueles que se acham acima da Constituição Federal de 1988 e demais atos normativos dela decorrentes.

A investigação criminal é da Polícia Civil. A verdadeira Polícia Judiciária, por mais que tentem não acreditar, é, constitucionalmente, atribuição da Polícia Civil. E vocês não podem contra a Constituição. Vamos defendê-las, a Constituição Federal e a Polícia Civil do Estado de Minas Gerais. Lutamos pelos ideais do Estado Democrático de Direito. Lutamos e continuaremos lutando pelo fortalecimento das instituições legalmente e constitucionalmente criadas, particularmente pela Polícia Civil, tão perseguida pelos neo-leberalistas. Esses, reais representantes dos ideais do estado mínimo, não conseguirão destruir os ideais do estado forte e promovedor do bem estar e segurança da população.

Nossa ação teve repercussão. As bases do governo tremeram. Não tenham dúvida disso. Mas, como bem disse nosso presidente Denilson Martins ao microfone, durante a assembléia, “isso é só o começo! A batalha só está começando!”

De forma pacífica e ordeira, sempre com base na legalidade e no respeito aos interesses da sociedade em primeiro lugar, estamos prontos para agir e reagir, na medida do necessário. Tudo para garantir a efetividade dos direitos do Policial Civil e da Instituição Polícia Civil de Minas Gerais.

Temos certeza que esse ato vai contagiar aqueles que ainda duvidavam da lisura das ações do SINDPOL/MG, no sentido de valorização da Instituição Polícia Civil.

Se nesse ato nós conseguimos mobilizar mais de 2 mil e quinhentos policiais civis, no próximo dia 29 desse mês, caso o governo não abra as negociações, certamente reuniremos o dobro. Teremos, no mínimo, 4 mil policiais civis na cidade administrativa, deliberando pela Greve Geral e por prazo indeterminado.

Mas, acredito, tenho fé, que já demonstramos para todos que a nossa força não deve ser testada novamente. Certamente, nos próximos dias, teremos alguma sinalização positiva do governo às nossas reivindicações.

Resta-nos deixar aqui nosso compromisso de fiel cumprimento aos mandamentos do PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE AÇÃO E MOBILIZAÇÃO SINDICAL, sob o comando do SINDPOL. Nossa contribuição para o alcance das metas dessa campanha será efetiva e com a adesão de 100% do quadro da nossa Delegacia.

E já fazemos nosso convite para os demais colegas de todo o Estado. A hora é essa! Parafraseando o pensamento do saudoso Karl Marx: “Policiais Civis do Estado de Minas Gerais: uni-vos.” Eis que a vitória é certa e iminente.

Na oportunidade das paralisações, já estamos providenciando anúncios nas rádios locais e a colagem de panfletos em carros dos policiais e de amigos pela cidade de Brasília de Minas. Vai essa sugestão também para os demais colegas.

 

Policiais Civis da Comarca de Brasília de Minas (Filiados ao Sindpol/MG)