Por falta de efetivo Polícia Civil adota novo esquema de plantões centralizados em delegacias regionais

Por falta de efetivo Polícia Civil adota novo esquema de plantões centralizados em delegacias regionais

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Carga excessiva de trabalho, além das 40 horas semanais previstas em lei, e número reduzido de delegados, investigadores e escrivães para atender às demandas da população forçaram a cúpula da Polícia Civil mineira a adotar um esquema de plantões centralizados em delegacias regionais. A medida leva outras delegacias a encerrar o expediente às 18 horas, nos finais de semana e feriados. O problema é que, em alguns casos, a unidade regional está a centenas de quilômetros de distância das cidades onde os problemas aconteceram.

Os sete policiais militares que trabalham em Formoso, município com 7 mil habitantes no Noroeste de Minas, estão apreensivos. Se o plantão regional for mesmo instituído, para registrar uma ocorrência de homicídio ou roubo, eles terão que viajar 457 quilômetros – metade em estrada de terra – até a delegacia de Unaí. “Se isso passar a valer, não sabemos como vai ser”, avaliou um PM do destacamento local.

Em Belo Horizonte, para desespero dos moradores do Bairro Floresta, na Região Leste, o plantão da 5ª Delegacia seria transferido para a delegacia do Bairro Alípio de Melo (Região Noroeste), do outro lado da cidade.
O presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindpol-MG), Denilson Martins, critica a mudança e defende que cada um dos 853 municípios do Estado tenha pelo menos um delegado, uma equipe de investigadores e dois escrivães.

Medida pode mascarar estatísticas criminais

De acordo com o sindicalista, com a dificuldade para registrar ocorrências no esquema de plantões regionalizados, muitas vítimas vão deixar de comunicar crimes. “Isso vai mascarar as estatísticas”, diz.

Para o presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de Minas Gerais (Sindepo), Edson José Pereira, dos 900 delegados na ativa, pelo menos um terço responde por duas ou três cidades, eventualmente percorrendo distâncias superiores a 100 quilômetros entre elas. Além disso, metade trabalharia por até 70 horas semanais. Mesmo assim, segundo Edson, não há pagamento de horas extras, nem compensações com banco de horas.

O presidente da Comissão de Assuntos Penitenciários da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), Adilson Rocha, acredita que, diante de um efetivo insuficiente, a Polícia Civil teve que remanejar os plantões. Mas diz que ainda é cedo para avaliar se a medida vai funcionar ou não. Ele concorda, porém, que muitas ocorrências deixarão de ser feitas. Procurada, a assessoria da Polícia Civil não se manifestou sobre o assunto.

 

Fonte: www.hojeemdia.com.br

Veja como ficará a escala de plantões.