Proposta para pagamento do Estado não convence servidor

Proposta para pagamento do Estado não convence servidor 

Representantes do governo teriam cogitado escalonamento já em fevereiro e parcelamento em abril

Publicado no jornal O Tempo, por Jhonny Cazetta e Danilo Emerich, em 14/01/16

Representantes do governo estadual garantiram a servidores da área de segurança, em reunião na noite de terça-feira, que não haverá parcelamento de salários até a folha de março (paga em abril). Depois disso, segundo o deputado federal Subtenente Gonzaga (PDT), que participou do encontro, não há nenhuma certeza. No caso do escalonamento, ele poderia acontecer já no próximo mês. Ontem, o governador Fernando Pimentel (PT) voltou a reclamar das contas do Estado, pediu paciência ao funcionalismo e chegou a chamar a situação de “dramática”. O discurso e a reunião não convenceram os servidores, que não descartaram greve e marcaram uma assembleia geral para o dia 2 de fevereiro.

“O governo apenas garantiu que, até março, não haverá parcelamento, mas não deu nenhuma perspectiva a partir de então. Ele disse que vai trabalhar com o cenário a cada três meses. E não descartou a possibilidade de escalonamento”, afirmou o deputado federal. Ainda segundo ele, o escalonamento poderia ser tanto por faixa salarial quanto por categoria.

O governador, por sua vez, não adiantou que proposta será feita aos servidores na reunião agendada para a sexta-feira, quando promete apresentar um cronograma. Ele apenas prometeu dar segurança aos servidores e pediu paciência.

“Estamos tratando com um imenso respeito os servidores. Estamos conversando com todas as associações e sindicatos. Trabalhamos com eles para mostrar a realidade dramática do Estado. Estamos em uma situação financeira dificílima, talvez como nunca houve em Minas”, justificou.

Insatisfação. O presidente do Sindicato da Polícia Civil (Sindpol), Denilson Martins, confirmou que o parcelamento e o escalonamento não serão aceitos. Segundo ele, o Estado teria pedido ajuda ao governo federal para pagar os salários, inclusive por meio de uma linha de crédito.

Reforma pode render R$ 1 bilhão

O governador Fernando Pimentel (PT) aposta na reforma administrativa, já em discussão há alguns meses no Estado, para aliviar as contas estaduais. Segundo ele, a economia anual com as mudanças no governo pode alcançar a cifra de R$ 1 bilhão.

O texto da reforma deve ser enviado à Assembleia Legislativa, de acordo com promessa do político, nos últimos dias de janeiro. “Será uma economia muito importante. Nós não podemos neste momento brincar com a situação. A situação é muito grave do ponto de vista financeiro do Estado, de todos os Estados do Brasil. Então nós estamos fazendo, neste momento, o projeto. Até o fim do mês vamos remetê-lo à Assembleia Legislativa. Vamos fazer uma economia muito substancial para Minas Gerais”, argumentou.

Sem falarem números, Pimentel confirmou o fim de alguns órgãos públicos. “Nós vamos extinguir órgãos e fundir outros. Vamos fazer um manejo operacional para o Estado ficar mais eficiente. O importante não é só a economia. É tornar o Estado mais ágil, mais presente, atendendo melhor a população”, reforçou o governador do Estado.

Em novembro do ano passado, O TEMPO mostrou que as estruturas do Instituto de Geoinformação e Tecnologia de Minas (Igtec), da Companhia de Habitação de Minas (Cohab), do Departamento de Telecomunicações de Minas (Detel), além de órgãos da Secretaria de Cultura e da Fundação Rural Mineira (Ruralminas), poderão acabar.

As demissões de servidores não estão descartadas. “Em princípio, não, mas, se for necessário, isso pode acontecer”, disse Pimentel.

Mudanças. Não serão as primeiras mudanças estruturais de Pimentel. Quando assumiu, no começo do ano, criou duas novas secretárias: de Desenvolvimento Agrário e Direitos Humanos e Cidadania. Além disso, a pasta de Esportes foi desmembrada e deu origem a outra, de Turismo. A criação da secretaria de Recursos Humanos chegou a ser cogitada, mas acabou vetada como medida de contenção de gastos.

Além disso, Pimentel tirou o status de secretaria dos escritórios de Prioridades Estratégicas e de Representação em Brasília e da Secretaria Geral da Governadoria. Em novembro, o governo sinalizou a extinção de empresas públicas e autarquias, remanejamento e demissão de comissionados.

Fonte: O Tempo